Em um discurso contundente no Plenário Ulysses Guimarães, nesta quarta-feira (27), a deputada federal Carol Dartora defendeu o fim da escala 6×1 e classificou o atual modelo de jornada como uma estrutura de adoecimento e exploração da classe trabalhadora brasileira.
Ao defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho, a parlamentar afirmou que o debate ultrapassa a esfera econômica e representa uma escolha sobre o projeto de sociedade que o Brasil deseja construir.
“A escala 6×1 é um mecanismo de exaustão física, emocional e social. Ela rouba o descanso, destrói o convívio familiar e empurra milhões de trabalhadores para o adoecimento permanente”, afirmou.
Durante o pronunciamento, Carol Dartora destacou que o peso mais cruel desse modelo recai sobre mulheres negras e periféricas, historicamente concentradas nos postos mais precarizados e mal remunerados do país.
“Quando falamos dessa realidade, precisamos dizer com honestidade quem mais sofre nesse país: mulheres negras e periféricas, que sustentam setores inteiros da economia em jornadas exaustivas, recebendo menos e vivendo sob maior sobrecarga”, declarou.
A deputada citou categorias como trabalhadoras do comércio, limpeza, saúde, alimentação e cuidado, áreas marcadas por longas jornadas, baixos salários e acúmulo de funções dentro e fora de casa.
Segundo Carol Dartora, manter a lógica da escala 6×1 significa naturalizar a retirada do tempo de vida da população trabalhadora.
“Não é aceitável que, em pleno século XXI, ainda exista quem trate descanso, lazer e qualidade de vida como privilégio. Isso é direito. Nenhuma economia saudável se sustenta às custas do esgotamento da sua força de trabalho.”
Ao rebater críticas de setores contrários à redução da jornada, a parlamentar afirmou que produtividade não pode ser construída sobre adoecimento físico e mental.
“Trabalhadores adoecidos produzem menos, vivem pior e têm sua dignidade atacada diariamente. Defender qualidade de vida também é defender desenvolvimento econômico e justiça social.”
Ao encerrar o discurso, a deputada reafirmou apoio integral à PEC pelo fim da escala 6×1 e reiterou a necessidade de um novo modelo de relações de trabalho baseado em dignidade, saúde e igualdade social.
Tramite
Na Câmara
A PEC precisa ser aprovada pelo plenário da Câmara em dois turnos.
Para passar, precisa de no mínimo 308 votos favoráveis em cada turno (3/5 dos deputados).
No Senado Federal
Após aprovação na Câmara, a proposta segue para o Senado e repete praticamente o mesmo rito: CCJ do Senado; votação em dois turnos no plenário.
No Senado, são necessários: 49 votos favoráveis em cada turno (3/5 dos senadores).
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Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos deputados