A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) participou do episódio de estreia da segunda temporada do podcast Ela Pod, apresentado por Manuela d’Ávila e Fran Rodrigues. O programa, produzido pelo Instituto Se Fosse Você, reuniu Dartora e a também deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) para debater o tema “Eleitorado em Disputa” e desmistificar a imagem do Paraná como um estado exclusivamente conservador.
Durante o bate-papo, as parlamentares analisaram o cenário político da Região Sul e apontaram os desafios de construir e manter uma representatividade progressista em um território historicamente disputado por elites oligárquicas e pelo agronegócio.
Desmistificando o Paraná e combatendo a invisibilidade
Ao ser questionada sobre como analisa o Paraná atual, Carol Dartora destacou que existe uma desconexão entre a propaganda institucional do estado e a realidade vivida pela população nas cidades e no interior.
“O estado do Paraná envia uma imagem que não condiz com a sua realidade. Infelizmente, o estado vende uma imagem de ser rico e conservador, mas quando você entra no cotidiano das cidades, você vê que isso é uma mentira muito grande”, afirmou a deputada.
Dartora denunciou o racismo estrutural que tenta apagar a presença da população negra no estado, lembrando que o Paraná possui mais de 80 comunidades quilombolas, mas apenas uma delas é devidamente titulada. Ela pontuou que sua eleição — como a primeira mulher negra a representar o Paraná na Câmara dos Deputados — traz consigo o papel pedagógico de promover o letramento racial de uma sociedade moldada por visões eurocêntricas e coloniais.
O impacto do “pânico moral” e a violência política
A deputada também chamou a atenção para as táticas utilizadas pela extrema direita no estado, que se apoia em discursos de pânico moral, manipulação religiosa e desinformação para desviar o foco dos problemas reais, como a falta de infraestrutura básica nas escolas do interior.
De acordo com Dartora, as forças progressistas precisam agir com coragem para desconstruir narrativas falsas que acusam o feminismo e a luta LGBTQIA+ de “destruírem as famílias”. Para ela, o verdadeiro debate político deve girar em torno de políticas públicas concretas, como a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a melhoria da saúde para mulheres periféricas e do campo.
Propostas para o futuro: Um Congresso representativo
Ao final da entrevista, provocada a pensar no que mudaria na política brasileira hoje, Carol Dartora foi enfática ao defender uma transformação profunda no perfil do Poder Legislativo.
“Eu mudaria o perfil do Congresso hoje. Nós temos dificuldades enormes de aprovar, por exemplo, o fim da escala 6×1 — uma escala que tem origem na escravização e adoece pessoas, especialmente mulheres negras. Se tivéssemos um Congresso proporcional à nossa sociedade, com 52% de mulheres e 56% de pessoas negras, não seria tão difícil aprovar pautas humanas como essa”, concluiu.
Assista à entrevista completa: O episódio está disponível na íntegra no YouTube através do link: ElaPod #02E01 – Carol Dartora e Gleisi Hoffman: eleitorado em Disputa.
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